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4 maiores acidentes de trabalho no Brasil

O Brasil, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), é o 4º país do mundo onde mais acontecem acidentes de trabalho. Os três países que lideram o ranking são China, Índia e Indonésia.

Esta é uma estatística que não gostaríamos de fazer parte, porém precisamos falar dos acidentes para lembrar o quão importante é realizar programas e ações de prevenção à saúde e segurança do trabalho.

Neste artigo, trazemos os 4 maiores acidentes de trabalho no Brasil. Infelizmente, devido a imprudências, falhas técnicas e humanas, temos o registro de acidentes que ficaram marcados na história do país.

1. Explosão da plataforma P-36 da Petrobras

explosão na plataforma P-36 da Petrobrás

A plataforma P-36 da Petrobras, na Bacia de Campos, a 130 km da costa do Rio de Janeiro, era uma das maiores do mundo em alto-mar. Na madrugada de 15 de março de 2001, a plataforma sofreu duas explosões em uma de suas colunas em um intervalo de 20 minutos.

Após as explosões, começou um trabalho de três horas e meia para a retirada de 138 trabalhadores, que foram levados para uma outra plataforma, distante 12 km do local do acidente. Permaneceram no local 11 profissionais que integravam a brigada de incêndio da unidade com o objetivo de combater o incêndio, porém não sobreviveram.

Por cinco dias, houve diversas tentativas de estabilizar a plataforma, mas sem sucesso. Às 11h40 do dia 20 de março de 2001 a P-36 naufragou, levando os corpos dos trabalhadores mortos. Somente dois deles tiveram seus corpos encontrados.

A P-36 naufragou a, aproximadamente, 1.200 metros e com um reservatório de 1.500 toneladas de óleo a bordo. Segundo investigações da ANP (Agência Nacional de Petróleo), as explosões aconteceram devido a falha nos procedimentos operacionais de manutenção e de projeto. Porém nunca houve um laudo conclusivo.

A tragédia é considerada um dos maiores acidentes da indústria petrolífera do mundo na história. Em 2007, a P-36 foi substituída pela plataforma P-52.

2. Contaminação por agrotóxico, em Paulínia (SP)

A fábrica da Shell-Basf, que funcionou no município de Paulínia (interior de São Paulo) de 1977 a 2002, foi responsável por um dos maiores acidentes de trabalho na história do Brasil. Ao longo dos anos de funcionamento, os agrotóxicos produzidos pela empresa contaminaram o solo e acabaram afetando mais de mil funcionários e matando 62.

Dentre os agrotóxicos produzidos pela fábrica estavam os chamados drins (Aldrin, Dieldrin e Endrin), que a partir de 1998 entrou para a lista do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente dos 12 POPs (Poluentes Orgânicos Persistentes) mais tóxicos do mundo.

Os drins foram inventados nos Estados Unidos na década de 1940 e eram bastante utilizados no cultivo de algodão e milho e, também, no controle de cupins. Em 1974 seu uso foi proibido nos EUA, após estudos confirmarem alto risco de câncer em animais e contaminação de alimentos. Somente em 1985 que os drins foram parcialmente proibidos para uso e comercialização no Brasil.

Entre 1998 e 2006, dezenas de ex-funcionários da fábrica e ex-moradores de Paulínia entraram com ações individuais contra as duas multinacionais devido aos danos ambientais e aos riscos à saúde humana a que foram submetidos.

Em 2013 foi homologado um acordo de indenização da Shell e Basf, como resultado da ação iniciada em 2007 pelo Ministério Público. O acordo previa o pagamento de R$ 200 milhões em indenização por danos morais e coletivos e, aproximadamente, R$ 170 milhões aos ex-funcionários e seus dependentes, como forma de indenização individual.

Além disso, as duas empresas comprometeram-se a pagar atendimento médico vitalício a mais de mil ex-trabalhadores diretos e terceirizados da então fábrica de agrotóxicos. Este caso é um dos mais abrangentes da história do Tribunal Superior do Trabalho.

3. Desabamento de teto do pavilhão de exposições

Desabamento pavilhão da Gameleira

Em 4 de fevereiro de 1971 o teto do Pavilhão da Gameleira, localizado em Belo Horizonte (MG), desabou, matando 69 pessoas e deixando mais de 100 feridos. Por muito tempo este foi considerado o maior acidente de trabalho da história do Brasil.

O projeto do parque de exposições foi assinado por Oscar Niemeyer e especialistas dizem que o desabamento aconteceu porque o governador de Minas Gerais na época, Israel Pinheiro, queria inaugurar a obra antes de terminar seu mandato.

O caso chegou à Justiça somente em 1984 e no processo ficou comprovado a omissão, a negligência e a imperícia na condução e fiscalização da obra. Material de qualidade inferior, falta de atendimento de algumas normas técnicas de engenharia e a utilização de juntas de concretagem duvidosas foram alguns dos problemas apontados pelos laudos.

Nenhuma vítima recebeu indenização. O processo criminal foi concluído dezesseis anos depois do acidente, sem apontar culpados. Já pelo processo civil, o governo de Minas Gerais foi condenado a indenizar as vítimas em 2004, porém recorreu diversas vezes.

O local onde ficava o Pavilhão da Gameleira, hoje, abriga o Expominas.

4. Rompimento da barragem em Brumadinho (MG)

rompimento barragem Brumadinho - MG

Foto: Corpo de Bombeiros/MG – Divulgação

 

O rompimento da barragem B1, da Vale, na mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG) é o maior acidente de trabalho da história do Brasil. A tragédia, que aconteceu em 25 de janeiro de 2019, deixou 270 pessoas mortas e outras 11 desaparecidas.

Quando a barragem se rompeu, 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos foram despejados. Os primeiros lugares atingidos foram as instalações da mineradora e o refeitório, localizados no pé da barragem. No momento da ruptura, 427 trabalhadores estavam no local.

Somente em 04 de fevereiro de 2021 foi fechado um acordo entre o governo de Minas Gerais e a Vale para reparação dos danos provocados pela tragédia de Brumadinho. O acordo foi assinado com o valor de mais de R$ 37 milhões e é considerado o maior acordo da história do Brasil e o segundo do mundo.

Além de indenizações e ajudas financeiras mensais, o acordo prevê diversas outras questões. Projetos de reparação socioeconômica e ambiental da Bacia do Rio Paraopeba, obras nas Bacias do Paraopeba e do Rio das Velhas, projetos de mobilidade, melhorias nas unidades de conservação do estado e investimentos em hospitais, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Polícias Militar e Civil.

Segundo informações da Vale, mais de 106 mil pessoas recebem ajuda emergencial mensalmente. Foram fechados 723 acordos de indenizações individuais e por núcleo familiar, totalizando 2.300 beneficiários. E as indenizações trabalhistas totalizam 516 acordos, beneficiando 1.539 pessoas.

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